Transtorno de personalidade Borderline – Principais características e tratamento

Transtorno de personalidade Borderline – Principais características e tratamento

 

            Antes de falarmos sobre um transtorno de personalidade, neste caso especificamente o transtorno de personalidade borderline, é importante compreendermos o que está sendo chamado de personalidade e porque se trata de um “transtorno”.

            Existem diversas definições para a personalidade e como ela é construída, mas falar em personalidade significa basicamente falar sobre uma tendendência do indivíduo se comportar de uma dada maneira nas diversas situações da vida, neste sentido, é uma forma de agir, pensar e sentir que mantém certos padrões  que são construídos a partir da história individual de cada um.

            Um transtorno de personalidade seria então um padrão de agir, pensar e sentir que é persistente e que se desvia em alguma medida daquilo que é esperado pela cultura em que a pessoa está inserida, levando a sofrimento e prejuízo em diversas áreas da vida. Os transtornos de personalidade afetam  as formas de perceber e interpretar a si mesmo, outras pessoas e eventos; a intensidade e adequação da resposta emocional; o funcionamento interpessoal e o controle de impulsos.

 

O que é o transtorno de personalidade borderline?     

            A palavra borderline, que significa basicamente estar no limite de algo nos dá indícios de qual a é a principal característica deste transtorno de personalidade.

            Os indivíduos borderlines possuem um padrão de instabilidade nas relações interpessoais. Isso significa que ao mesmo tempo que podem amar intensamente uma pessoa em um momento, podem desprezá-las rapidamente em outro momento, principalmente quando percebem que este outro não se importa o suficiente ou quando há risco de abandono, seja este real ou imaginário.

O medo de ser abandonado é quase constante na pessoa borderline, levando a sentimentos de raiva intensos e considerados inadequados pelos outros além de sentimentos crônicos de vazio. Além disso, qualquer coisa que saia fora do planejado ou mudanças de plano inesperadas, como por exemplo perder uma consulta por conta do trânsito ou alguém importante desmarcar um compromisso, geram ataque de fúria que podem se manifestar em agressão ou autoagressão.

Para o borderline, o abandono é visto como se fosse um indício de que são “maus”. Este medo de abandono está relacionado principalmente com a dificuldade em tolerar o “estar sozinho”. Para evitar que este possível abandono ocorra, podem haver esforços desesperados como ações impulsivas relacionados a comportamentos suicidas ou de automutilação. A impulsividade também é uma característica marcante do transtorno de personalidade borderline e pode envolver gastos excessivos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável e compulsão alimentar.

            As chamadas perturbações da identidade também estão presentes e são caracterizadas por uma instabilidade na percepção que os indivíduos têm de si mesmo. Isso quer dizer que podem ocorrer mudanças praticamente súbitas nos valores, metas de vida, identidade sexual, carreira, tipos de amigos e nas opiniões que tem acerca de si mesmo e dos outros.

 

Quais são os tratamentos?

            Os prejuízos que este transtorno pode levar são nítidos, sendo assim, se faz importante que seja procurada ajuda a fim de reduzir os danos  e sofrimentos causados. O carro chefe para o tratamento das pessoas com diagnóstico com transtorno de personalidade borderline é a combinação entre psicoterapia e uso de psicofármacos.

O psicólogo terá como principal objetivo ensinar novas formas do indivíduo se colocar no mundo bem como fortalecer o que for necessário, amenizando os impactos causados pelo transtorno nas diversas áreas da vida e assim, possibilitando uma vida com maior qualidade. O psiquiatra entrará com medicações a fim de lidar com as comorbidades, já que é bastante comum que pessoas borderline também tenham outros transtornos, como a depressão e transtornos alimentares. Além disso, a medicação também será importante para o indivíduo “aguentar” melhor os eventos que causam ataques de fúria e impulsividade. Apesar de ser considerado um transtorno crônico, o tratamento é possível e tem como principal objetivo fazer com que a pessoa viva uma vida mais plena e com menor sofrimento.

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